Numa magnífica tradução de João Barrento, um conjunto de poemas deste poeta "apocalíptico", nascido em Salzburgo em 1887, e que viria a morrer em Cracóvia, vítima de sobredose de cocaína em 1914. Maldito, como Rimbaud, era "como um estrangeiro na sua terra", e a poesia surge como um canto de beleza, narrando o seu desespero, que o amor incestuoso pela irmã e o abuso de drogas acentua e desespera.
TRÊS SONHOS é dos poucos poemas que não fala da Morte. Mas não foi pela repetição do tema que não gostei da maioria dos poemas; foi por lhes faltar aquela magia inexplicável com que as palavras de alguns poetas me enfeitiçam. Ou, então, não soube entender-lhes o sentido...
"Vi-me num sonho de folhas caindo, De lagos escuros num bosque perdido, De tristes palavras ecoando - Mas não sabia entender-lhe o sentido.
Vi-me num sonho de estrelas caindo, De preces chorosas num olhar ferido, De um sorriso que vinha ecoando - Mas não sabia entender-lhe o sentido.
Como estrela caindo, folha tombando, Assim me via num vai-vem perdido, Eternamente esse sonho ecoando - Mas não sabia entender-lhe o sentido."