A mulher sentada à beira da calçada na av. Nossa Senhora de Copacabana só se sente em casa vivendo na rua: estar entre paredes a oprime, ela tem a sensação de que vai morrer sufocada. É tão fina e educada que todos a chamam de Princesa. Seu “lar” é um trecho do piso de cimento delimitado por pedaços de papelão. Muito gorda, tem dificuldade para se mover. Mesmo assim, não descuida da aparência: alisa bem o vestido sobre as pernas esticadas, penteia-se com esmero e passa batom com pelo menos frequência - sempre que recebe a visita do delegado Espinosa. E o delegado Espinosa visita Princesa várias vezes por dia. Afinal, tudo indica que ela viu quem enfiou uma faca no homem muito branco, talvez um estrangeiro, que amanheceu morto na calçada a alguns metros dela. Mas Princesa costuma sonhar, às vezes até quando está acordada... E como saber, nesta vida, o que é realidade e o que se passa no mundo dos sonhos? Isaías é o grande amigo de Princesa. Ele sabe que a amiga viu alguma coisa que não deve ser lembrada. Acredita que precisa proteger a qualquer custo a moça dos perigos que podem surgir da noite - quando ela dorme sozinha na calçada - e do dia, quando os passantes são tantos que é difícil distinguir o inimigo que se aproxima para desferir um golpe. Como Princesa, Isaías é incapaz de lidar com o mundo complicado onde os dois vivem; como ela, é indefeso e vulnerável.
Mais uma aventura do Delegado Espinosa nas ruas de Copacabana, desta vez envolvendo uma Princesa intrigante. Muito atmosférico, como os anteriores volumes da série, mas mais concentrado na intriga e nas suas peripécias.
Luiz Alfredo Garcia-Roza já ocupa lugar de destaque na galeria dos autores contemporâneos de histórias policiais. O personagem central de seus livros, o delegado Espinoza, é tão crível e real que temos a impressão de que, antes de a história começar e, sobretudo, quando se conclui, ele assume sua cadeira à frente da 12a DP. Em o "Fantasma", existem ainda alguns outros tipos inesquecíveis, como Princesa, uma moradora de rua. Vale a pena lê-lo.
Sempre surpreendente -:)) à espera que alguém me consiga o próximo! Suspense até ao fim, escrita fluida, não se consegue parar .... Personagens muito bem construídas e descritas,.... Do melhor!
Fantasmas - Luiz Alfredo Garcia-Roza (Detetive Espinosa #10) | #crime #mistério #literatura brasileira | NITROLEITURAS | 208 páginas, Cia das Letras 2012 | Lido de 21.07.17 a 22.07.17
SINOPSE No décimo romance do premiado criador do delegado Espinosa, uma moradora de rua é possivelmente a única testemunha de um assassinato ocorrido em Copacabana.
A mulher sentada à beira da calçada na av. Nossa Senhora de Copacabana só se sente em casa vivendo na rua: estar entre paredes a oprime, ela tem a sensação de que vai morrer sufocada. É tão fina e educada que todos a chamam de Princesa.
Seu “lar” é um trecho do piso de cimento delimitado por pedaços de papelão. Muito gorda, tem dificuldade para se mover. Mesmo assim, não descuida da aparência: alisa bem o vestido sobre as pernas esticadas, penteia-se com esmero e passa batom com pelo menos frequência - sempre que recebe a visita do delegado Espinosa.
E o delegado Espinosa visita Princesa várias vezes por dia. Afinal, tudo indica que ela viu quem enfiou uma faca no homem muito branco, talvez um estrangeiro, que amanheceu morto na calçada a alguns metros dela.
Mas Princesa costuma sonhar, às vezes até quando está acordada... E como saber, nesta vida, o que é realidade e o que se passa no mundo dos sonhos?
Isaías é o grande amigo de Princesa. Ele sabe que a amiga viu alguma coisa que não deve ser lembrada.
Acredita que precisa proteger a qualquer custo a moça dos perigos que podem surgir da noite - quando ela dorme sozinha na calçada - e do dia, quando os passantes são tantos que é difícil distinguir o inimigo que se aproxima para desferir um golpe. Como Princesa, Isaías é incapaz de lidar com o mundo complicado onde os dois vivem; como ela, é indefeso e vulnerável.
RESENHA
Mais uma vez, o nosso delegado Espinosa, no seu melhor estilo psicanálítico-criminal, busca reconstruir uma história por meio de memórias fragmentadas e muitas vezes deturpadas por traumas.
Em Fantasmas, a discussão se centra na personagem Princesa, que não diferencia os sonhos da realidade.
O mais interessante é o desprezo que Espinosa muitas vezes dá ao que chamamos de "real", ele sempre busca a verdade emocional de uma narrativa e não a factual. A busca das motivações psicológicas é o foco de sua obsessão, ao invés de algum tipo de verdade objetiva. Em Fantasmas, esse aspecto fica bem evidente!
A personagem Princesa é um achado, fabulosa, interessante, original. Fico imaginando se o Garcia-Roza não a baseou em alguém de verdade.
Mais uma trama bem adulta e que, mais uma vez, questiona os limites entre o real e o imaginário em uma investigação criminal que depende da subjetividade dos investigados.
Não sei o que dizer sobre esse. O personagem da Princesa, cercada de mistérios e fantasias, é muito bem construído. Espinosa continua interessante, apesar de estar quase em segundo plano nessa trama. A história vai se desenvolvendo bem, e segura o leitor pela garganta até o final. Meu problema é realmente com o diabo do final, abrupto e aparentemente alinhavado as pressas. Acho que o editor papou mosca em não instigar uma conclusão bem polida e mais satisfatória. Talvez eu tenha gostado do livro como processo, mas fiquei desapontado com o destino final.
Essa é a minha obra preferida deste autor. Seu trabalho geralmente envolve a vida de personagens de classe media-alta. A introdução de personagens de rua como parte da trama foi única e bem escrita, como sempre!