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«É certo que os cinco livros da Autobiografia [A Causa (1975), A Cave (1976), A Respiração (1978), O Frio (1981) e Uma Criança (1982)] servem a Bernhard para dar a conhecer o que foi a sua infância e a sua juventude, mas sempre na medida em que esses períodos da sua vida e os acontecimentos por ele narrados foram relevantes para a sua obra literária. O escritor enfatiza os momentos que o marcaram para o resto da existência, faz notar os seus problemas, os seus erros, as fraquezas e os aspectos contraditórios do seu carácter, mas também as suas grandes decisões, a sua independência, a sua força de vontade, a sua natureza insubmissa e inconformada, mesmo na luta pela própria vida. […] Ficção e biografia interpenetram-se em Bernhard de uma forma nem sempre clara, porque ambas participam igualmente da sua escrita enquanto obra de arte e ambas se completam e explicam reciprocamente. […] Na verdade, esse período da infância e juventude — e a ele se limita a Autobiografia — influencia decisivamente a personalidade do escritor, modela o seu carácter e de certo modo constrói as bases da sua carreira literária. Pode-se mesmo dizer que, sem conhecer as suas origens, as circunstâncias em que se verificou o seu nascimento, o que ele foi em criança e as provações por que passou na adolescência, não será fácil compreender devidamente a sua obra.»
[José A. Palma Caetano]
544 pages, Paperback
First published January 1, 1986
















«… y en aquel tiempo solo había tenido un pensamiento, a saber, el pensamiento del suicidio; pero para suicidarme era demasiado cobarde y sentía también demasiada curiosidad por todo, toda mi vida he sido de una curiosidad desvergonzada, eso ha impedido una y otra vez mi suicidio, me hubiera matado mil veces si mi desvergonzada curiosidad no me hubiera mantenido en la superficie terrestre.»
'And so I began a strenuous search for the evidence, tracking it down in every direction, in every corner of the city of my youth and its surroundings. My grandfather had been right in his judgment of the world; it was indeed a cesspit, but one which engendered the most intricate and beautiful forms if one looked at it long enough, if one's eye was prepared for such strenuous and microscopic observation. . . . My grandfather had described nature as cruel -- and it was. He had described human beings as desperate and vicious -- and they were. I was always on the lookout for counter-evidence, thinking to prove him wrong in this or that particular, but I failed: all the evidence I assembled in my head confirmed his views.'