Caros leitores de fantasia: não se deixem enganar, esse livro não tem NADA de fantasia, é 100% romance numa ambientação de mitologia que não chega a ser grega, mas é totalmente apoiada nos conceitos básicos.
É um livro de muitos problemas e só chega a quase 400 páginas por encheção de linguiça, não tem conteúdo nenhum. Tudo que você aprende desse “mundo mágico” vem por monólogo descritivo, TODO capítulo os personagens tão te explicando todos os mínimos detalhes, em vez de simplesmente viver e te mostrar o mundo
Vou abrir um parênteses pq eu gosto muito da ideia dos “fragmentos”, mas a parte de explicações devia ter se bastado aí, e não permear todos os parágrafos e todas as conversas dos personagens.
Como o livro se apoia muito nisso, o ambiente não é explorado, os cenários são super estáticos e de pouquíssima interação, e as regras mágicas são inúteis. Os personagens se contradizem, as regras de “não mentir” ou “não ultrapassar a barreira” ou “não ter gênero” e etc são todas inúteis, mas pode ter certeza que tudo isso vai ser explicado em OUTROS monólogos explicativos.
É super massante, pra mim nem mesmo o casal é interessante. Não vi química nenhuma –eu aprecio o estilo de narrativa bem lírico e poético, mas nesse livro especificamente foi só acúmulo de palavra bonita pra preencher página, os diálogos são uma repetição sem fim das mesmas regras rígidas do mundo (que na verdade não são tão rígidas assim).E claramente você percebe que os dois se pautam muito em Hades e Perséfone, mas a dinâmica não rolou pra mim e a personalidade deles ficou meio perdida. A Sonho é muito mais essa figura da deusa da agricultura e fertilidade, enquanto que o Hades é descrito como uma força imponente do lado sombrio.
No fim, é uma experiência frustrante porque justamente os pontos chave do livro que precisavam de explicação são deixados à deriva , num estilo “é desse jeito porque sim!” e o leitor não recebeu bagagem do livro pra tentar entender ou imaginar o motivo desses desdobramentos –isso é uma falha decorrente da própria falta de construção ativa do tal “mundo magico”.
E pra mim é uma mensagem tão bobinha, tão juvenil, não vejo esse livro nem como YA, pra mim é total infanto-juvenil, considerando também a narrativa bem rasa e de pouquíssima substância.