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A Chama ao Vento

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Um corpo anónimo é lançado à água num misterioso voo noturno sobre o Atlântico…

Vivem-se os anos mais negros da Segunda Guerra Mundial, e a vida brilha com a força e a fragilidade de uma chama ao vento. Na Lisboa de espiões e fugitivos dos anos 40, João Lopes apresenta à sua amiga Carmo um estrangeiro mais velho, homem de segredos e intenções obscuras que depressa a seduz, atraindo os dois jovens para uma teia de mistérios e paixões de consequências imprevistas.
Anos volvidos, Francisco, jornalista, homem inquieto, pouco sabe de si próprio e menos ainda de Carmo, a avó silenciosa que o criou, chama apagada de outros tempos. É João Lopes quem promete trazer-lhe a sua história inesperada, história da família e dos passados perdidos nos tempos revoltos da Segunda Grande Guerra e da Revolução de Abril. Para João, é uma história há muito devida. Para Francisco, o derrubar dos muros que ergueu em torno da memória e da própria vida.
Um retrato íntimo de Portugal em três gerações, pela talentosa escritora de Alma Rebelde.

430 pages, ebook

First published April 1, 2014

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Carla M. Soares

19 books315 followers

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Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Mª João Monteiro.
968 reviews81 followers
October 30, 2022
Gostei bastante deste livro. Escreverei sobre ele no fim das férias.

Não tinha qualquer tipo de expetativas sobre este livro e fiquei agradavelmente surpreendida. No presente, temos Francisco, um jornalista introvertido e difícil de conhecer, e Teresa, a sua namorada em rutura, exatamente porque ele não se dá a conhecer. Adequadamente, aparece João Lopes, um senhor muito idoso, com informações sobre a avó Carmo, que criara Francisco após a prisão do pai pela PIDE e da fuga da mãe e Nathalie para evitar represálias. Francisco fucou com os avós severos e silenciosos e assim cresceu, com a sensação de abandono e secretismo. Mas descobre, então, que a sua reservada avó Carmo não foi sempre quem ele conheceu, através da história que lhe é contada e do seu diário. Descobrimos a história de uma jovem sob o Estado Novo, as aspirações das jovens de uma classe social alta em Lisboa e das movimentações secretas desta época. Achei muito interessante a personagem de Carmo. É um livro bem escrito e interessante.
Profile Image for Cristina.
101 reviews
April 21, 2015
Comecei a ler sem qualquer tipo de expectativa.
À medida que ia avançando na leitura, conhecendo personagens e entrando dento da narrativa, ia ficando cada vez mais intrigada e curiosa. Intrigada em relação ao rumo que tudo estava a tomar... Curiosa pelo desfecho que poderia ter...

A escrita da Carla é bastante simples e contagiante. Daquele tipo que nos prende e não nos larga até chegarmos à última página e, quando esse momento chega e tudo é revelado, deixa-nos um sabor agridoce. Por um lado, as dúvidas estão desfeitas, mas também a leitura chegou ao fim...

Aconselho!
Ideal para os apaixonados pelos mistérios da II Guerra Mundial e dos países neutros... Afinal, em Portugal também havia espiões estrangeiros...

Opinião completa em: http://lotsofbooksandotherthings.blog...
Profile Image for Patricia Morais.
Author 19 books90 followers
December 27, 2015
Depois de ler tantos livros em inglês (por serem mais baratos e fáceis de adquirir) comecei a sentir que a minha escrita, tanto nas traduções da vertente inglês-português como criativa, estava a ser indubitavelmente prejudicada, pelo que decidi escolher algo para ler na língua portuguesa. “A Chama ao Vento” foi uma excelente escolha. Carla M. Soares escreve num português limpo, fluido e rico de uma forma não pretensiosa e complicada com o qual tenho por vezes o infortúnio de me deparar.

Devo admitir que não foi uma história que me agarrou logo nas primeiras páginas, mas as alterações entre a atualidade e o passado intrigavam-me e deixavam-me cheia de curiosidade; cada vez que reparava num flashback a caminho abria de repente os olhos e perguntava-me o que raio se estaria ali a passar. Foi isto que me fez continuar e, quando cheguei ao terceiro capítulo reparei que já estava tão submersa no livro que não seria capaz de o pousar mesmo que necessitasse, já tanto o passado como o presente me fascinavam de forma igual.

Apesar da narrativa ser feita inicialmente na perspetiva de um homem, achei que a autora conseguiu captar bem a essência do seu personagem, Francisco, um homem fechado e distante -- resultado de falta de conhecimento de si mesmo -- e apesar de não apreciar a maneira como deixa Teresa do lado fora, compreendo as suas razões.

Teresa, é sem dúvida, a minha personagem preferida do rol de mulheres descritas. É uma mulher dos tempos modernos que, como qualquer mulher apaixonada, abdica um pouco da sua própria felicidade e dos seus desejos para manter-se ao lado do homem que ama numa esperança contínua que ele mude ou recompense tal dedicação com uma parte de si mesmo, sem no entanto fechar os olhos ou perder a dignidade quando se apercebe que demais é demais e por vezes é necessário desistir daqueles que não querem ser salvos.

A narrativa do passado acontece no seio da Segunda Guerra Mundial, do qual Portugal não fez parte. Adorei o contraste da autora ao descrever Lisboa como uma cidade bela e antiquada, mas como ao mesmo tempo representa Portugal como um país retrógrado e lento a aceitar os novos tempos, assim como a sua reflexão da ignorância vivida pelo país face à guerra que decorria no mundo lá fora.

“A Chama ao Vento” também aborda tópicos como a ingenuidade de um primeiro amor, mas é aqui que confesso fiquei um bocado desiludida com a razão que apagou a chama de Carmo

No entanto, entendo que os tempos eram outros, força não era algo encorajado nas mulheres e nem todos os personagens são obrigados a agir como desejamos, são essas falhas que os tornam autênticos e nos fazem conectar com eles e ler uma página atrás da outra.

http://trishmorais.blogspot.pt/2015/1...
Profile Image for Olinda Gil.
Author 20 books36 followers
April 27, 2022
Há algo que é preciso ter em atenção: eu não li a versão agora disponível, li uma versão anterior que ainda esteve sujeita a alterações. Portanto se dou 5 estrelas a essa versão a actual deve ter umas 6 ou 7!
Se o Alma Rebelde é um bom livro, então preparem-se, porque este supera todos os níveis. Estão a ver aqueles livros literariamente superiores, daqueles que chamam a atenção dos críticos e dos entendidos em literatura? A chama ao vento é desses livros.
As personagens são profundas, o enredo é complexo, mas todo o livro mostra um realismo que chega a doer muitas das vezes. Foi deste realismo que gostei em especial, das personagens em que podemos rever, pelo menos, meia dúzia de pessoas que já conhecemos.
Leiam o livro, mesmo que não sejam adeptos de ebooks. Pois só com leitores é que este livro pode vir a ter o destaque que merece.
Profile Image for Carina Rosa.
Author 9 books102 followers
May 11, 2014
Mais uma vez, Carla Soares não desiludiu, pelo contrário, surpreendeu. Li a sua primeira obra, «Alma Rebelde», e não me tendo arrebatado, gostei imenso e estava ansiosa para ler o seu novo romance, quando lhe vi o brilhozinho nas redes sociais. Apressei-me a comprá-lo e ainda tenho um sorriso nos lábios ao recordar a obra, que terminei há pouco.

Uma coisa que adoro na autora é a sua capacidade de se reinventar, de assumir tantas cores quanto um camaleão, mudando de pele e de personalidade como quem muda de roupa. Escreve géneros literários distintos e é admirável que o faça com mestria, em cada trabalho.

Este é um romance que se divide em duas partes: presente e passado, os estilos contemporâneo e histórico a envolverem-se numa dança brilhante, que me deixou com os olhos pregados nas páginas e as ideias bem longe da realidade e presas à história. Primeiro, aquele início: Um corpo é atirado ao mar...que corpo? Prendeu-me e quando dei por mim, com as algemas bem presas aos pulsos, já não conseguia libertar-me. Tive de esperar muito tempo para perceber a que se referia a autora com este princípio de história, mas valeu bem a pena a espera. Foi um golpe de mestre.

Francisco, o personagem principal, cativou-me desde o princípio, com aquela personalidade peculiar, fruto de muita coisa mal resolvida que o leitor vai descobrindo ao longo da leitura. Conheço uma pessoa muito parecida e talvez por isso me tenha identificado tanto com ele. Também sofri muito ao colocar-me na sua pele de menino abandonado. Adorei-o, adorei a Teresa e a relação que mantinham, e quando o passado se impôs entre os dois, senti a sua ausência na história. Não foi uma coisa negativa. Era uma saudade boa, que ia sendo colmatada com a verdade de Francisco, a vida da avó, Carmo, e Dekel, que me destroçaram o coração, e o pobre João, para quem desejei sempre mais do que aquilo que teve.

Todo o livro foi chama, não a chama extinguida do olhar de Carmo, mas a chama sempre acesa daquilo que foi um dia. O vazio e a solidão das personagens eram sempre colmatados com amor e amizade, momentos ousados que a autora soube desenhar ao longo das páginas.

Depois, a vertente histórica: Todo o passado foi bem retractado, com elementos históricos bem definidos no seio da segunda guerra mundial: a excitação das gentes de Lisboa, o medo dos que sabiam, a inocência dos que ainda viviam nos tempos de ouro, vendo tudo, mas fingindo não ver. E no meio de tudo isto, um amor que me partiu o coração e que explicou, de muitas formas, a maneira como uma chama pode ser apagada com a força do vento.

Acho que as analepses que caracterizaram toda a história foram muito bem metidas, cativando sempre o leitor a ler mais e mais, dando-lhe apenas pedaços de verdade, que só servem para o tornar impaciente.

Gostava de ter visto mais de Francisco e Teresa. Apesar dos poucos momentos que passaram juntos ao longo da história, prenderam-me com uma química muito especial e eu adoraria que a autora pegasse na continuação desta história e que os desenvolvesse, mostrando, ao leitor, a forma como Francisco acabou por lidar com as barreiras que destruiu em torno de si próprio. Estas acabaram por cair-lhe aos pés e Teresa entrou no seu mundo com a sua permissão. Mas será assim tão fácil? Francisco ergueu à sua volta muros altos e inquebráveis e eu gostaria de saber como lidaram ambos com este novo Francisco.

Por fim, a escrita: Não é novidade. A escrita da autora é sublime, bonita, fluída, com recurso a metáforas fantásticas, que eu adorei. Era um livro que merecia ter um destaque maior em papel. O leitor que tiver acesso a ele, quererá tê-lo na estante e espero que a editora possa apostar nisso.

Recomendo e quero mais livros da autora! :D

Opinião: http://carinarosaautora.blogspot.pt/2...
Profile Image for Bárbara Moura.
44 reviews19 followers
November 30, 2016
Tal como o passado de Francisco o encontrou, sinto que foi este livro que me encontrou a mim, e não o contrário. Por um lado, é uma obra que reúne muitas das características que prezo nos livros. Por outro, A Chama Ao Vento foi-nos gentilmente cedido pela sua autora, e decidi entregar-me à sua leitura sem ler sequer a sinopse – o que, incidentalmente, é algo que tenho de começar a fazer mais vezes, quando me recomendam bons livros que não conheço, pois a partida ao desconhecido num livro é deliciosa.

Foi precisamente o que senti ao ler as primeiras páginas. A introdução atinge-nos com um baque, sendo no entanto deixada em suspenso, e deixando o leitor imediatamente intrigado. Avançamos então para a viagem que despoleta uma crise na vida de Francisco, o nosso narrador. Descobrimos ao mesmo tempo que ele aquilo que ignorava há demasiado tempo, e subitamente a introdução já não tem assim tanta importância.

Leia o resto da crítica aqui.
Profile Image for Rosana Maia.
154 reviews
July 7, 2016
Para quem não sabe, Carla Soares é, sem sombra de dúvida, uma das minhas autoras preferidas. Assim, como seria de esperar, iniciei a leitura desta que é a sua segunda obra publicada com bastantes expectativas. Infelizmente, não posso dizer que o livro me tenha enchido as medidas e alcançado todo o seu potencial.

A história desenrola-se essencialmente em torno de Francisco, o seu presente, o seu passado e o seu futuro. E penso que aquilo que menos me agradou nesta obra foi a construção e organização da narrativa. Com isto, não quero dizer que a leitura se tenha tornado confusa e pouco organizada, mas a verdade é que a obra é repleta de vais e vens – ora estamos no presente com Francisco a conversar com João Lopes, ora estamos no passado a reviver de uma forma demorada, descritiva e por vezes emotiva o passado de Francisco e de Carmo.

Apesar de compreender exactamente porque é que a história foi escrita desta maneira, não posso dizer que me tenha conquistado. Essencialmente, adorei a caracterização das personagens! Adoro a forma como a Carla escreve e descreve, adoro a forma como nos consegue colocar na pele de cada uma das personagens e, efectivamente, fiquei a conhecer muito bem Francisco, Carmo e João Lopes. Quando acabei a leitura, o sentimento que prevaleceu nem sequer foi a desilusão, mas sim a pena/tristeza de algum mau aproveitamento. Sei que a Carla não me leva a mal, porque sabe que a minha opinião é sincera, construtiva e nunca pejorativa.

Mas para que compreendam melhor esta minha opinião, convém introduzir e falar um pouco sobre a história. Temos como narrador Francisco – a nossa personagem principal – e, pela sua voz vamos conhecendo e revivendo, como disse, toda a sua vida. E não há qualquer dúvida de que a sua vida foi muito triste. No entanto, inicialmente dei por mim irritada com a personagem – isolada com os seus pensamentos, frustrações e tristezas, incapaz de se abrir, incapaz de partilhar, incapaz de viver! Ao virar de cada página, felizmente, a autora vai-nos explicando porque é que ele é assim. Como todos sabemos, e nos diz brilhantemente a Carla "Ninguém é só uma coisa ..., e sabes bem que as coisas que acontecem às pessoas as modificam. Toda a gente pode mudar." E Francisco é o exemplo disso mesmo – é exemplo de que somos moldados de acordo com a nossa infância e adolescência, de que desta moldagem resulta algo bom ou mau, mas que apesar de a fase de crescimento e moldagem já ter passado, nada na vida e na nossa personalidade é estanque - Nunca é tarde para abrir os olhos!

Para além de Francisco, outra personagem de grande destaque é Carmo – a sua avó. Mais uma vez não somos presenciados com a descrição de uma vida feliz. Não posso dizer que tenha compreendido esta personagem totalmente, apenas que empatizo com ela. Infelizmente não consigo deixar de a culpar pela vida de Francisco. Mas, mais uma vez, consigo adorar as personagens que a Carla cria, porque um livro não deixa de ser uma vida. E como na vida real, estranho era se gostássemos de toda gente e se nenhuma destas personagens tivesse defeitos. E, por isso, apesar dos defeitos de Carmo, no fim, consigo perdoá-la. Se, por um lado, através de Francisco a autora nos mostra como é que a nossa vida e as pessoas que a rodeiam podem influenciar a nossa personalidade, por outro lado, com Carmo a autora traz-nos outra vertente igualmente importante, mas muitas vezes esquecida por todos nós. Existe ainda outro factor que influencia esta nossa personalidade – a época e o regime em que vivemos. E aqui encontro outro factor positivo na narrativa, a história de um Portugal antes do 25 de Abril, a história de um país preso, mas cheio de vontade por se libertar!

Com um papel menos evidente, mas tão importante, tão sólido, como um pilar, temos João Lopes – um amigo de Carmo. É através dele que Francisco fica a conhecer o seu passado e o passado da sua avó, tornando possível a reconstrução do seu eu e da sua vida. Gostei muito desta personagem e da sua tentativa desenfreada de transmitir à personagem principal como era a Carmo que ele conheceu, que, por sinal, era muito diferente da que Francisco conhecia. No entanto, como já referi acima, não apreciei muito cada vai e vem da narrativa. Senti que algumas descrições e viagens no tempo seriam desnecessárias. Na verdade, senti-me como Francisco – ansioso por um esclarecimento plausível e não compreendendo a relevância de tudo aquilo que João estava a partilhar. Mas como a Carla escreve tão bem, sinto-me capaz de num dia aleatório ler partes destas memórias como se fosse um diário.

Por fim, tenho que falar em Teresa – uma das personagens mais discretas ao longo da narrativa, mas que se pensarmos bem teve um dos papéis mais importantes no abrir dos olhos de Francisco.

Infelizmente, tenho que referir que esta é uma edição em ebook, o que mais uma vez me deixa triste ao saber o imenso potencial da autora e das suas obras. Era uma obra que merecia o papel, independentemente de não me ter enchido as medidas. Sendo repleta de memórias, foram muitas as vezes em que tentei fechar o livro, saborear e voltar a abrir, mas como é óbvio não podia! Por outro lado, a partir de um certo ponto na leitura queria muito chegar ao fim. Mas como é óbvio, ainda não tendo um e-reader, sou forçada a dizer que quando acabei de ler caiu sobre mim uma enorme dor de cabeça. E com isto não estou a criticar os ebooks, mas sim a dizer que para todos os leitores deveriam existir duas opções. Nem todos nos damos bem com a leitura de ebooks, mas claro que tinha ler esta obra da Carla que era a única que me faltava ler! Ainda tenho que acrescentar que a edição que li da obra contém algumas gralhas que na minha opinião deveriam mesmo ser corrigidas.

Em conclusão, apesar de o livro não me ter enchido as medidas, a Carla é uma excelente escritora, uma excelente contadora de histórias e mestre na construção e caracterização das suas personagens. E, após reflexão e escrita desta opinião, fico até tentada a mudar a classificação da obra no goodreads de 3 para 4 estrelas, porque de facto, não foi o que eu queria, esperava e achava que devia ser, mas um dia vou voltar a ler!


http://bloguinhasparadise.blogspot.pt...
Profile Image for Carina Carvalho.
671 reviews18 followers
October 6, 2020
Este livro não funcionou comigo. Penso que sou um retrato da sociedade dos nossos dias, quero tudo rápido e na hora e este livro deu me cabo da paciência... Muito lento a desenrolar a história. A escrita é maravilhosa mas 400 páginas podiam bem se transformar em 300. Algumas partes passei à frente porque já estava a desesperar. Gostei do retrato de Lisboa e dos tempos áureos da capital.
Profile Image for Sofia Teixeira.
609 reviews132 followers
July 1, 2014
De cada vez que lemos a primeira obra de um autor, definimos logo a nossa opinião sobre o potencial e qualidade que a sua escrita tem. Se achamos que não tem o suficiente de cada, talvez nunca mais peguemos nos livros, mas quando detectamos essas duas qualidades só queremos um novo livro cá fora. Carla M. Soares é um claro exemplo do que é um diamante em bruto que com o tempo se vai aprimorando. A sua primeira obra foi Alma Rebelde, publicada em 2012, e se na altura tinha apreciado a sua escrita, embora à história lhe faltasse um pouco mais de espevitamento por parte da protagonista, é com A Chama ao Vento, e-book publicado pela nova chancela da Porto Editora - Coolbooks - que a qualidade desta escritora enquanto contadora de histórias se torna inegável.

O início da narrativa começa lentamente, como uma maré que nos vai embalando e, de repente, quando damos conta estamos já muito longe do ponto de origem e inevitavelmente presos à corrente. É nesta altura que o instinto de sobrevivência surge e, como quem está em alto mar e só quer chegar à costa, também o leitor só quer virar as páginas cada vez mais rapidamente, ansioso por saber o destino do enredo apresentado. Urge a necessidade de encontrar a conciliação entre o que foi e o que é, entre o passado que se teima em manter submerso, o presente que não se enfrenta e o medo de que o futuro nada traga.

Três gerações, marcadas por um passado histórico que marcou a humanidade, relatadas a três vozes e mostrando como o fio condutor da vida humana é tão imprevisível e tão frágil. A nossa mente tem tendência a tirar conclusões precipitadamente, a fazer associações que muitas vezes somos nós mesmos que criamos, mas depois temos sempre receio de enfrentar os verdadeiros factos e as suas consequências. Com Francisco é um pouco assim. Dada a sua infância, ele assumiu imensos pressupostos, tirou as suas conclusões, e começou a viver uma vida com base nessa nuvem cinzenta. O resultado? Uma vida adulta satisfatória, porém longe de o preencher ou de o fazer sentir-se inteiro. A entrada de João Lopes na trama é o fósforo que incendeia toda aquela pólvora até ali espalhada. Com uma realidade diferente daquela que é familiar à mente de Francisco, este vem abanar o seu mundo e colocar em causa o seu eu presente e a sua postura com Teresa, alguém que ele ama, mas que não consegue assumir.

A escrita de Carla M. Soares é muito rica, não só pela imaginação sem limites, sempre coerente e ao mesmo tempo real, como também na capacidade de transmitir emoções a quem a lê. É fácil sentirmos uma grande empatia com Carmo, com João Lopes, até com Dekel - o tal estrangeiro. Neste aspecto, o da escrita, o livro só peca por uma razão: a revisão, se feita, foi bastante desleixada. Existem, ao longo de toda a obra, pequenas imperfeições e algumas trocas de nomes que com um olhar mais analítico crítico teriam sido perfeitamente evitáveis. Espero que este formato digital - já que, na minha opinião, a autora merecia um formato físico com uma obra destas - não venha a prejudicar Carla M. Soares. O talento está lá, é inegável, mas autor algum, após ter escrito uma obra com mais de 400 páginas, tem a capacidade de corrigir sozinho todos os erros que são inerentes e naturais no processo de escrita. Não querendo dar demasiada importância a este facto, mas ainda assim sublinhando a necessidade de haver trabalho com os autores portugueses por parte dos editores, quero reforçar que A Chama ao Vento é uma estória que vale a pena ler, que mostra um panorama de Portugal e das suas gentes muito histórico e emocionante. Gostei.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews234 followers
February 14, 2015
Classificação 4,5 Estrelas

Li a sinopse, portanto sabia à partida que a história se iria focar no passado de Carmo, a avó de Francisco. No entanto, na parte inicial do livro, conhecemos Francisco, um homem bastante reservado e que não sabe praticamente nada sobre os seus pais e que desde cedo foi educado pelos seus avós.
Gostei bastante da história e da forma como a Carla M. Soares, foi intercalando o passado e o presente, contando-nos a juventude de Carmo, que antes da sua chama se apagar era uma "alma rebelde" (é um pequeno e fraco trocadilho com o primeiro livro da autora, mas conforme ia conhecendo melhor Carmo, pensei várias vezes que era uma pequena rebelde).
Conforme ia avançando na história de Carmo, queria saber mais e mais, tanto que na última noite só parei quando cheguei ao fim.
A escrita da autora é simples, fluída mas muito rica, quer pela forma como interliga a história com factos históricos, como também da maneira como nos consegue passar as emoções. Foi muito fácil simpatizar com a grande maioria das personagens, tal como Carmo, Dekel, João Lopes e até mesmo com Francisco. A única falha neste campo prende-se com a falta (ou insucesso) da revisão, pois ao longo do livro encontrámos algumas faltas de letras, trocas de nomes e até mesmo falhas de formatação. Mas este aspecto é uma falha da editora, que deveria ter tido mais cuidado.
A construção da história agradou-me bastante, com um início bastante misterioso e que nos aguça o apetite para tentarmos descobrir, que corpo afinal é aquele.
Outro aspecto bastante positivo foi a introdução de elementos históricos, quer durante o período da Segunda Guerra Mundial, como também os que antecederam ao 25 de Abril de 1974, que nos permite ter uma visão de Portugal durante estas duas épocas.
No entanto, e apesar de ter gostado bastante da história, há uns pequenos aspectos que me levaram a não atribuir as 5 estrelas.
!!Poderá conter alguns spoilers!!
Quando terminei a leitura senti-me um bocadinho frustrada por ter ficado sem saber efectivamente o que aconteceu aos pais de Francisco e a Nathalie. A sério, andei o livro todo à espera de que Francisco soubesse mais sobre os seus pais e de um possível reencontro, pois fiquei bastante intrigada com a carta que aparece no início, assinada por Nathalie, mas cheguei ao fim sem saber nada mais, para além da "surpresa" a respeito do pai de Francisco - Joaquim. Será que poderemos esperar uma continuação deste livro? ;)
Também essa "surpresa" sobre Joaquim, foi algo que já desconfiava logo quando apareceu Dekel e juntando as "peças" que a Carla M. Soares, nos ia dando ao longo do livro, principalmente a forma fria e distante que Manuel Vasconcelos tratava o neto Francisco, como se este fosse invisível e indesejado.
!!Fim de Spoilers!!

Mas apesar de não atribuir a pontuação máxima, reconheço o talento da Carla M. Soares e acho que esta história merecia passar do e-book para formato físico.
E tenho ainda mais vontade de ler o mais recente livro da Carla M. Soares, O Cavalheiro Inglês, que já se encontra na minha estante.
Profile Image for Ivonne.
270 reviews21 followers
January 9, 2015
Comecei a ler A Chama ao Vento convicta de que se tratava de um romance histórico. O primeiro publicado, Alma Rebelde, e o terceiro, O Cavalheiro Inglês, em breve nas livrarias pela Marcador, levaram-me a crer que este Chama não fugia à regra. Confesso que nem li bem a sinopse - sou mais de ir debicando enquanto leio do que fazer uma leitura prévia, o que dá azo a "erratas" do tipo com que me afundei aqui. A minha assumpção acabou por não estar totalmente errada, por assim dizer, uma vez que este volume tem analepses que nos levam ao passado, aos anos 30-40 e 70, pela altura da Guerra que massacrava a Europa e o mundo e num Portugal oprimido pelo governo ditatorial e povoado por estrangeiros que procuravam um porto seguro.

Esta introdução à laia de explicação serve para dizer que comecei a leitura em Julho e só a retomei à séria no fim de Novembro. Curiosamente, o mesmo aconteceu com Inverno de Sombras e A Filha do Barão, ambos de autoras portuguesas e publicadas pela Marcador, aos quais também dei cinco estrelas. Às vezes acontece-me isto, por uma razão ou outra tenho de parar. Não porque não estou a gostar ou por ser aborrecido, mas apenas porque sim, enfim não sei explicar bem e nem é para isso que o post serve. Vá-se lá perceber estas contradições. Gosta-se, mas para-se; tudo bem, o entendimento, esse, fica para outro dia.

A opinião propriamente dita em: http://epifania-de-letras.blogspot.pt...
Profile Image for Inês Montenegro.
Author 49 books148 followers
Read
November 8, 2021
"A história de três gerações é interligada num todo que culmina em Francisco, o primeiro narrador que se apresenta ao leitor. Pelo foco que é dado à sua situação emocional julguei, inicialmente, tratar-se de um romance de descoberta de personagem. Não deixa de o ser: o conhecimento da história dos seus antecessores provoca profundas alterações na personalidade e modo de estar de Francisco, do mesmo modo que as consequências dessa história nos respectivos protagonistas moldaram-no durante o seu crescimento. No entanto, a trama foca muito mais o romance de juventude de Carmo, avó de Francisco, desenvolvendo-se mais as características de romance de época do enredo. O desenvolvimento desse romance é transmitido através uma narração agradável ao leitor, estimulável à leitura, como já é hábito da autora. Considerei, contudo, que teria havido um maior interesse em ver desenvolvida a parte do mistério e espionagem, a qual pareceu ficar constantemente cingida a uma ambientação mais do que a um “papel activo” no enredo."

Opinião completa em: https://booktalesblog.wordpress.com/2...
Profile Image for Carla Faleiro.
235 reviews28 followers
July 4, 2014
Como a Carla quer opiniões honestas, não levará a mal a minha. :)

A favor:
De inicio confesso que me custou um pouco entrar na estória, achei o Francisco enfadonho e irritante! Toda aquela incerteza e falta de confiança...
Mas á medida que o livro avança dei por mim a admirá-lo e a compreendê-lo. A infancia longe dos pais e com um avô como Manuel foi o contributo para a sua existência solitária.
Os personagens são consistentes, a época histórica interessante, a escrita é simples e nada entediante. Estes são igredientes para uma leitura bastante agradável e em nada fatigante.
Gostei muito!

Contras:
Á parte a estória, o livro tem vários erros... É uma pena que uma autora com tanta potencialidade sofra com os erros de formatação/edição da obra.
"“Prefiro não dizer, receio que não me permit a carta não siga, se o fizer.” - este é apenas um exemplo, existem vários.

A pontuação é mais um 3.5 e seria mais se não fossem aqueles errozitos.



Profile Image for Margarida.
600 reviews15 followers
April 30, 2014
Uma verdadeira delícia! Maior parte das vezes, as capas nada têm a ver com o romance, neste caso, tem tudo. Muito emocionante, deu para chorar e revoltar com tudo o que se passava na época. A Carla conseguiu que eu me sentisse lá no meio, a ver tudo o que João Lopes descrevia. Todo o sentimento com que João nos relata a vida de Carmo, chegou até mim. As lembranças de Francisco....enfim, tudo muito bem escrito. Simplesmente adorei! Recomendo a todos. :)
Profile Image for FLAMES (Roberta Frontini).
435 reviews42 followers
May 29, 2014
" (...) Se está à procura de um livro que o deixe intrigado desde a primeira página, e que o faça lutar contra o sono, fome e outras coisas, para continuar a ler... PARABÉNS! Não precisa de procurar mais, porque acabou de o encontrar. As duas palavras de ordem aqui neste livros são, sem dúvida: INTRIGANTE e VICIANTE. (...)" Vejam o resto da opinião aqui - http://www.flamesmr.blogspot.pt/2014/...
Profile Image for Sofia Rego.
11 reviews4 followers
April 12, 2015
Lancei-me na história sem fazer ideia do que esperar, e desde a primeira página que só me apetecia ler mais e mais para descobrir onde tudo ía parar. O que se teria passado com Carmo? quem era afinal Dekel? E o querido João, que só me apetecia abraçá-lo... Como é que a história do passado afectava a vida de Francisco? Um homem solitário, de poucas palavras...
Personagens tão fortes, tão diferentes, tão cativantes...
Tenho pena que livros como este não possam estar na minha estante!
Displaying 1 - 23 of 23 reviews

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