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Memórias #2
Memórias
"De muitos nem já sei o nome. Passaram no tropel dos mortos. Ficou-me um olhar impresso, o calor da tua mão na minha mão. Mais nada. Como te chamas tu? Por mais esforços que faça, não me lembro. Entre nós interpôs-se esta coisa monstruosa que se chama o tempo. Se soubessem a pena que isto me faz! Mortos! mortos para sempre, morta comigo a vossa ternura, para toda a eternidade! Só estes três fantasmas se chegam mais para – Tu, que fazes que não vens? – Nem eu sei o que espero para me juntar a vós. Esta companhia doirada de todo o Inverno, que ali se consome no lar, já não basta para me aquecer. Preciso doutro lume, que só vós me podeis transmitir. Nem eu sei o que espero para sentir meu coração mais perto do vosso coração, agora que a vida me ensinou que a ternura é a melhor coisa da vida."
Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.
Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.
255 pages, Paperback
First published January 1, 1925
About the author
Raul Brandão
80 books93 followersRaul Germano Brandão (Foz do Douro, March 12, 1867 – Lisbon, December 5, 1930) was a Portuguese writer, journalist and military officer, notable for the realism of his literary descriptions and by the lyricism of his speech. Brandão was born in Foz do Douro, a parish of Porto, where he spent the majority of his youth. Born in a family of sailors, the ocean and the sailors were a recurrent theme in his work.
Brandão finished his secondary studies in 1891. After that, the joined the military academy, where he initiated a long career in the Ministry of War. While working in the ministry, he also worked as a journalist and published several books.
In 1896, Brandão was commissioned in Guimarães, where he would know his future wife. He married in the next year and settled in the city. Despite living in Guimarães, Brandão spent long periods in Lisbon. After retiring from the army, in 1912, Brandão initiated the most productive period of his writing career. He died on December 5, 1930, age 63, after publishing a profuse journalistic and literary work.
Published works:
1890 - Impressões e Paisagens
1896 - História de um Palhaço
1901 - O Padre
1903 - A Farsa
1906 - Os Pobres
1912 - El-Rei Junot
1914 - A Conspiração de 1817
1917 - Húmus (1917)
1919 - Memórias (vol. I)
1923 - Teatro
1923 - Os Pescadores
1925 - Memórias (vol. II)
1926 - As Ilhas Desconhecidas
1926 - A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore
1927 - Jesus Cristo em Lisboa, with Teixeira de Pascoaes
1929 - O Avejão
1930 - Portugal Pequenino, with Maria Angelina Brandão
1931 - O Pobre de Pedir
1933 - Vale de Josafat
Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Raul_Bra...
Brandão finished his secondary studies in 1891. After that, the joined the military academy, where he initiated a long career in the Ministry of War. While working in the ministry, he also worked as a journalist and published several books.
In 1896, Brandão was commissioned in Guimarães, where he would know his future wife. He married in the next year and settled in the city. Despite living in Guimarães, Brandão spent long periods in Lisbon. After retiring from the army, in 1912, Brandão initiated the most productive period of his writing career. He died on December 5, 1930, age 63, after publishing a profuse journalistic and literary work.
Published works:
1890 - Impressões e Paisagens
1896 - História de um Palhaço
1901 - O Padre
1903 - A Farsa
1906 - Os Pobres
1912 - El-Rei Junot
1914 - A Conspiração de 1817
1917 - Húmus (1917)
1919 - Memórias (vol. I)
1923 - Teatro
1923 - Os Pescadores
1925 - Memórias (vol. II)
1926 - As Ilhas Desconhecidas
1926 - A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore
1927 - Jesus Cristo em Lisboa, with Teixeira de Pascoaes
1929 - O Avejão
1930 - Portugal Pequenino, with Maria Angelina Brandão
1931 - O Pobre de Pedir
1933 - Vale de Josafat
Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Raul_Bra...
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Community Reviews
Displaying 1 - 4 of 4 reviews
March 13, 2020
Raul Brandão poderia escrever um livro de cozinha e ainda assim provavelmente lê-lo-ia, embevecido, de fio a pavio. Felizmente, acresce ao maravilhoso talento que Brandão tem para a prosa o facto de ter vivido numa das épocas mais definidoras da História de Portugal, que descreve aqui através das páginas do seu diário. Seguindo os eventos por ele mesmo descritos no 1º Tomo das suas
Memórias
, este volume descreve os acontecimentos pós-regicídio, incluindo a implantação da República, bem como os primeiros anos da República, antes da I Guerra Mundial. Como sempre, povoam as páginas figuras lendárias da História portuguesa, como Teófilo Braga, a ex-família real, ou Paiva Couceiro, e ainda grandes vultos da vida artística portuguesa, como o seu amigo Guerra Junqueiro ou personagens mais distantes como Aquilino Ribeiro. As páginas do seu diário são tesouros para os amantes da História, que aqui podem descortinar páginas esquecidas do passado de Portugal. Planos secretos para um casamento que acarretaria a União Ibérica, as conexões de Aquilino Ribeiro ao regicídio, as traições de José de Alpoim à causa monárquica - tudo aqui, nestas páginas da vida de Raul Brandão.
É, além disso, um retrato da vida pessoal de Raul Brandão e das ligações que mantinha com as figuras da sua época - são talvez estes trechos os que mais retidos ficaram na minha memória. O primeiro texto destas Memórias, intitulado O Silêncio e o Lume, é porventura das cartas de amor mais memoráveis que li, dedicada à sua mulher Maria Angelina Brandão; impactantes ainda o texto sobre a sua visita a Seide e os últimos dias de Camilo Castelo Branco - ou ainda a descrição dos últimos anos de um Guerra Junqueiro moribundo. Um livro cheio de histórias interessantes, coloridas pela prosa inquietante deste que é, para mim, um dos grandes autores portugueses.
Uma alma é preciso criá-la, e quando está criada - deixá-la. Tanta luta, tanta dúvida, perguntas ansiosas, respostas que nos deixam perplexos, necessidade de recalcar os instintos, e quando, enfim, a gente tem, à custa de dor, construído um universo que não existe e criado uma alma que não tinha, está cansada, velha, exausta, é forçoso deixá-la!
É, além disso, um retrato da vida pessoal de Raul Brandão e das ligações que mantinha com as figuras da sua época - são talvez estes trechos os que mais retidos ficaram na minha memória. O primeiro texto destas Memórias, intitulado O Silêncio e o Lume, é porventura das cartas de amor mais memoráveis que li, dedicada à sua mulher Maria Angelina Brandão; impactantes ainda o texto sobre a sua visita a Seide e os últimos dias de Camilo Castelo Branco - ou ainda a descrição dos últimos anos de um Guerra Junqueiro moribundo. Um livro cheio de histórias interessantes, coloridas pela prosa inquietante deste que é, para mim, um dos grandes autores portugueses.
Uma alma é preciso criá-la, e quando está criada - deixá-la. Tanta luta, tanta dúvida, perguntas ansiosas, respostas que nos deixam perplexos, necessidade de recalcar os instintos, e quando, enfim, a gente tem, à custa de dor, construído um universo que não existe e criado uma alma que não tinha, está cansada, velha, exausta, é forçoso deixá-la!
April 24, 2016
Grande loja do tio Pedro
«Ainda há poucos anos havia no Rossio um quiosque conhecido pelo quiosque do tio Pedro – que pendurava à noite nos taipais uma lanterna com dois vidros de cores, um vermelho, outro roxo. Quando um fanchono passava e dizia: – Boas noites tio Pedro – logo o velhote mudava o vidro vermelho para o roxo, o que queria dizer – fanchono à vista – prevenindo assim os outros que estavam no Rossio.»
Raul Brandão, Memórias, t. II, Relógio d' Água, Lisboa, 1999, p. 186.
April 23, 2014
"O importante é a comunicação de alma para alma.
A mão que aperta a nossa mão, o olhar húmido que procura o nosso olhar, o sorriso que nos acolhe, desvendam-nos o mundo."
A mão que aperta a nossa mão, o olhar húmido que procura o nosso olhar, o sorriso que nos acolhe, desvendam-nos o mundo."
July 18, 2024
a carta que Raul Brandão escreveu a Maria Angelina <3
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