Em misto de guia literário e romance de formação, autora Bruna Martiolli, professora e influencer, entrelaça suas memórias da infância, passagens de sua adolescência e da vida adulta com poemas de Manoel de Barros, contos de José Saramago e romances de Machado de Assis, entre outros clássicos da língua portuguesa
Criada em São Bernardo do Campo (SP), ainda menina Bruna Martiolli brincava de dar aulas para suas bonecas. Mais tarde, acabou se tornando professora e encontrando seu lugar no mundo graças aos livros. Ao longo destas páginas, Bruna compartilha alguns dos vazios que a literatura preencheu e preenche em sua vida e mostra como a descoberta dos livros na infância e sua vocação para o magistério a ajudaram a amadurecer.
Com o mesmo encantamento da adolescente que pendurava na parede do quarto fotos de Lygia Fagundes Telles e Eça de Queiroz, Bruna apresenta suas paixões literárias e artísticas de forma contagiante e franca. As séries Gilmore Girls e Sex and City se cruzam com os dilemas de Emma Bovary; os filósofos Platão e Sócrates convivem com Guimarães Rosa e Maya Angelou; o filme O Sorriso de Mona Lisa esbarra num quadro de Pieter Brueghel. Os livros permeiam as escolhas de Bruna e a amparam nos momentos difíceis. Seja para superar uma decepção amorosa ou uma amizade desfeita, seja para tomar decisões corajosas como não desistir de sua carreira ou se mudar para outro país, é para eles que ela sempre retorna.
Fã declarada de Clarice Lispector — a quem dedica um capítulo inteiro e de quem tomou emprestado o título para este livro e seu podcast homônimo —, Bruna nos lembra que é preciso tempo para encontrar aquilo que nos atravessa de verdade e que a boa literatura, assim como os afetos que importam, não precisa agradar à primeira vista.
"Ao contrário de tudo o que eu conhecia, ou que tentavam me impor, os livros me deram uma chance, uma oportunidade de diálogo, fizeram-me reagir. Em troca, entreguei a eles minha vida."
Acho que a maior força do livro, ser escrito por uma professora, também acabou sendo a maior fraqueza. Por um lado, é uma defesa inspiradora e necessária da literatura de língua portuguesa. Por outro, pra quem espera ser leitora e não aluna, é frustrante. Não existe ferida aberta, situação mal elaborada, obstáculo que não termine em lição de moral, nenhuma indignação com nada; não existe quem ela tenha magoado, só por quem foi magoada e a quem perdoou ou superou. Quem espera mergulhar nessa conexão mais pessoal entre a história da autora e os livros só encontra resistência, é tratado com a distância carinhosa que mantemos de quem nos vê como autoridade em sala de aula. É ótimo que ela seja tão madura, resignada, entregue, disposta a se enveredar pelos caminhos da vida, mas é difícil não ficar um pouco cética quando ela diz que aprendeu e ainda tem muito o que aprender, mas se apresenta como quem já era a imagem da moral e bons costumes desde adolescente. Ainda assim, é difícil negar que esse livro foi escrito por quem é um Bom Exemplo. Daria, com carinho, pra uma filha que precisa de bons conselhos.
ler esse livro foi como se eu tivesse conversando sobre a vida e literatura com uma amiga. várias vezes bruna me disse coisas que eu precisava ouvir na hora que eu precisava ouvir, e mais uma vez, li esse livro no momento certo. obrigada por essa conversa bru e por lembrar da importância de não esquecer que é tempo de morangos 🍓❤️✨
“Para além da curva da estrada Talvez haja um poço, e talvez um castelo, E talvez apenas a continuação da estrada. Não sei nem pergunto. Enquanto vou na estrada antes da curva Só olho para a estrada antes da curva, Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. De nada me serviria estar olhando para outro lado E para aquilo que não vejo. Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. Se há alguém para além da curva da estrada, Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada. Essa é que é a estrada para eles. Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos sa-beremos. Por ora só sabemos que lá não estamos. Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva Há a estrada sem curva nenhuma.”
Obrigada Bruna por me lembrar que a vida é um eterno debute, e por isso, “Se deve viver apesar de”.
maravilhoso e um dos melhores de não ficção que li nos ultimos tempos! bruna é da minha cidade e acompanho ela desde os primórdios do youtube, entrar um pouco mais a fundo na jornada dela tanto no âmbito pessoal quanto com a literatura foi como escutar uma amiga contar uma história muito agradável e gostosa de ouvir.
me identifiquei com muitos trechos, especialmente os que deixam claro o quanto a literatura a salvou e deu propósito pra vida dela, os trechos em que ela pontua o quão importante é questionar e abrir espaço pra aprender. fiquei morta de vontade de zerar a lista de livros citados que tem no final, baita referencial de literatura nacional!
Ler este livro é como ter uma conversa com a Bruna. É aconchegante, um percurso leve e fácil, que provoca à reflexão sem apelo. Me emocionei inúmeras vezes. É um livro para quem ama livros.
"A boa literatura não é feita para nos agradar de imediato, assim como os vínculos verdadeiros não nascem da pressa. É preciso tempo para encontrar aquilo que nos marca de verdade. Quero os livros que me desorganizam. Quero ouvir e descobrir o que ainda não ouvi nem descobri."
Que delícia foi passar os dois últimos dias lendo as palavras da Bruna, foi como estar em um café conversando com uma amiga ou irmã mais velha. Em diversos capítulos me identifiquei, levei tapa na cara, me emocionei e me senti inspirada e motivada não apenas para me tornar cada vez melhor na profissão que compartilhamos, mas também como leitora e como pessoa.
Li muita gente falando que foi como conversar com uma amiga e não poderia concordar mais com isso. A Bruna é uma figura que se eu sinto que quando eu não estou lendo muito eu preciso ver algo dela para me inspirar, então ler um livro dela foi tão legal que foi uma jornada que vou sentir falta. Vou sentir falta desses dias que estava lendo, que levei pra Atibaia pra ler, que li até nas escada rolante do metrô. Ler é tão bom, né Bruna?!
Acompanho a Bruna há algum tempo, mas não desde o começo. Comecei a assisti-la ao mesmo tempo em que meu interesse pela literatura foi crescendo. Grande parte do meu interesse pela literatura se deve aos vídeos e reflexões trazidas no YouTube e no seu poscast.
Desde que comecei a acompanhá-la percebi algo, além da literatura, que me fazia continuar voltando para alguns mesmos episódios do seu podcast vez após outra. Depois de um tempo (e principalmente depois de ler o livro) finalmente entendi porquê. A Bruna sempre trouxe essa sensação de inconformidade com a vida que levo, não no sentido ruim, mas no sentido de que "se ficar aqui, com essas pessoas, dói, então eu devo me mover, eu devo buscar a minha própria liberdade sem esperar que ela venha de mão beijada. Eu tenho que buscar ser eu e viver no mundo e não esperar que o mundo magicamente venha até mim e tudo fique bem". Não é apenas isso que me faz gostar dos conteúdos que a Bruna produz, mas talvez seja o maior aspecto que me faz continuar me interessando por eles.
Eu nunca tinha lido nada da Bruna até então, apenas assistido/escutado os vídeos e podcasts, então me acostumei muito com a fala descontraída dela. Realmente ler um livro dela me surpreendeu (sei que não deveria, afinal de contas não é que ela realmente estuda, tem mestrado e está em busca do doutorado não é mesmo??). Enfim, amei o livro porque além de ele me relembrar diversos reflexões super importantes para minha vida, também trouxe uma espécie de substrato que é capaz de, em certa medida, entender mais um pouco da Bruna, enquanto também junto as peças do meu próprio quebra-cabeça da vida.
Sou suspeita para escrever qualquer review de um livro feito pela pessoa que, mesmo conhecendo por telas, falou o suficiente para fazer com que eu tomasse coragem para seguir o destino de Letras, da literatura.
Eu posso ser a maior leitora de clássico do mundo e compartilhar dessa paixão em comum com a Bruna Martiolli mas nunca terei o entusiamo ligado a tamanha inteligência que ela possui para falar sobre arte.
"A melancolia me faz tão bem quanto a alegria".
Bruna nos convida a olhar para dentro, a desacelerar e a refletir. Se você é amante da literatura (principalmente a brasileira) você vai sair dessa leitura amando mais, querendo conhecer mais, ansiosa pelo que ainda não viu. Se você não lê, vai igualmente sair querendo começar. E como ela mesmo impõe, sempre da para começar. Afinal, é tempo de morangos!
Que possamos para sempre celebrar a literatura, a arte e o respiro que as palavras nos dá. Livro perfeito.
“A leitura, como o amor, raramente faz sentido lógico. A gente simplesmente se entrega.” - Bruna Martiolli
Que leitura gostosa! A autora consegue transmitir através da escrita desse livro muito do que o próprio conteúdo do livro trata. Me senti conectada em diversos momentos em que a Bruna cita como os livros foram e têm sido sua companhia ao longo de tantos anos.
Consegui enxergar e conectar com a minha história diversos momentos em que os livros tiveram esse mesmo colo para mim e como a partir deles consegui realizar tantos sonhos que um dia imaginei não ser capaz de realizar. Amo como os livros fazem parte da minha vida e como a experiência de ler é transformadora!
“Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.” 🍓 ✨
Terminei de ler esse livro enquanto volto pra casa de trem depois de 4 horas de teoria e método no meu último ano de faculdade. Acho que meu problema é querer fazer tudo pra agora, entregar o TGI ontem, passar no mestrado amanhã e esquecer que a vida merece pausas, acho que essa foi a grande lição que a Bruna me passou nesse livro. Eu já fui centenas de pessoas até chegar a ser quem sou hoje, mas uma das coisas que conectam todas as minhas versões é a literatura, sou apaixonada pela literatura e espero sempre ser, talvez não tanto quanto a Bruna é, mas sou feliz assim e mesmo com as preocupações e ansiedades da vida adulta sou feliz por que tenho um quintal maior do que o mundo...
Descobri um poema tão lindo através desse livro que vou deixar aqui uma parte dele:
Meu amor, tem dó de mim. Isso não pode ficar assim. Eu era, juro que era a cores antes de entrar outra vez no nosso prédio, no nosso andar. Eu era todos janelas para o mar. Tenho a sala cheia de coisas que não interessam: os teus caixotes, os meus caixotes. No Rossio, acenderam holofotes como se as sombras fossem folhas que não pesam. À saída, os pés de frente para a vida, (gostava tanto de te ver passar), ponho os phones nos ouvidos. Como dantes, assobio. Meu amor, estou de partida. Não passes por mim no Rossio. — Filipa Leal, “Adrenalina”
It's a non-fiction book, focusing on literary cartography.
The book begins by listing references to different artists and works of Portuguese and Brazilian literature. Initially, the focus is on the primacy of art consumption, whether primarily written, but also other types such as painting.
The autobiographical bias of this narrative quickly becomes clear. Through her life story, the author takes the opportunity to give opinions on the works of others... But the story itself doesn't revolve around her life or the works themselves; everything is intertwined.
Even so, the book functions as an excellent encyclopedia for understanding the cartography of Portuguese and Brazilian literature.
Um ótimo livro, queria dizer que ele é denso por tudo que me fez sentir durante a leitura me fez imergir na minha docência me identificar em vários pontos, me fez refletir sobre o papel que a leitura e a literatura sempre ocuparam em minha vida e muitas vezes me faltam palavras para explicar, mas ali nesse livro encontrei com as mais lindas e bem escolhidas palavras a forma exata de como sempre me senti. A Bruna fez eu me sentir mais uma vez como se estivesse próxima a uma amiga, assim como no início da faculdade e carreira assistir aos vlogs dela era reconfortante, ler este livro transmite a sensação de estar novamente em casa.
os livros foram meu primeiro amor, não tenho contato com muitas pessoas, mas tenho ainda os livros que me deram, as indicações que me passaram, e assim se segue...acho que é por isso que me identifiquei tanto. ler esse livro me fez relembrar porque eu amo tanto ler, me emociona até escrever essa review!
"Os livros nunca foram um passatempo ou uma coleção de prateleira. São abrigo, espelho, farol. São eles que me permitem habitar o tempo sem me perder na pressa; nunca foram uma fuga; eles são encontro."
Esse livro me apresentou um mundo novo e por isso eu agradeço. A leitura fluiu tanto que eu já sentia saudades muito antes do fim. E não há fim, eu acredito. A leitura continua em mim, nos livros que eu li antes e vou ler depois. Um novo horizonte de obras que eu antes rotulava - "chatas", "melodramáticas", "não é pra mim". Fico feliz de te conhecer Bruna.
Quanto a críticas, a escrita pode parecer pouco vulnerável, mas acho que seu propósito não é mostrar as fraquezas da autora e sim a força que ela tira da literatura. Para mim foi perfeito em sua incompletude!
"a vida, tal como a arte, é infinita. e, por isso mesmo, dotada de um interesse inesgotável. há sempre mais a ver, mais a aprender, mais a descobrir nesse caminho."
gosto de acompanhar a bruna, tudo o que ela fala sobre literatura, arte, vida, justamente por isso. com sua lucidez, ela me lembra do tanto que ainda há para descobrir, ver de um jeito diferente, sentir... de toda a beleza que ainda posso encontrar. livro lindíssimo!
Eu poderia ficar horas e horas tentando descrever o que esse livro foi pra mim. Como essa leitura me abraçou e me representou das mais diversas formas. Mas toda hora parece que faltam palavras. Então, fica só essa tentativa de dizer que foi um dos livros mais importantes que já li na minha vida. Obrigada, Bruna!
Que leitura deliciosa! É como conversar com uma amiga sobre o poder da literatura na nossa vida.. é apaixonante, emocionante e reflexivo.. lindo!!
Acompanho a Bruna há anos e sou apaixonada pelo trabalho dela. As oficinas e cursos que participei foram experiências enriquecedoras e, sem dúvidas, inesquecíveis.
Foi como conversar sobre literatura, uma conversa sobre a vida. Vai muito além sobre a trajetória da vida da autora e as obras que a atravessaram, mas um diálogo sobre significados. Carregado de conselhos, algumas verdades que precisavam ser lidas, críticas em geral e muitas reflexões. Iniciei a leitura sem muita expectativa e terminei o livro com muitos pensamentos e novas perspectivas. Sim.
Que livro lindo. Bruna me faz mais ainda refletir sobre o que importa na vida, que não são coisas, mas nossa família, amigos, momentos únicos que passamos com quem amamos, a forma de admirar a leitura e arte. Escrita impecável, e amei conhecer mais ainda a Bruna, que já acompanho na internet.