Este é aquele livro que já aqui referi várias vezes por me estar a custar tanto terminar. E que mais de uma vez estive para pôr de lado mas que, por pura teimosia, não fiz. E parecia que o livro o percebia, pois quando cedia e voltava a pegar nele oferecia-me um conto em que sentia: «Afinal vale a pena.»
São 21 contos e a meu ver talvez um terço valha a pena. Como «Sir Hercules», a história de um casal de anões que acaba por ter um filho de tamanho «normal». «O sorriso de Gioconda», uma história de amor e de enganos com um volte-face no final. «O pequeno mexicano», em que a arte é substituída pela sobrevivência. «O retrato», em que a busca ávida por obras de arte dá azo à aldrabice. «Jovem Arquimedes», em que a vida um jovem humilde e promissor é destruída pela obsessão por uma educação superior. «A cura de descanso», em que um amor aparentemente puro se revela uma relação de interesse... ou não. Ou «Os Claxtons», sobre as virtudes e desvantagens de uma educação mais ou menos ascética.
Em resumo, foi uma aprendizagem, mas para quem, como eu, gosta de ler uma boa história em que mergulha como se lá estivesse dentro, não foi fácil.